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Pérolas VERMELHAS e AMARELAS  
nas serras gerais de Minas

A origem do café remonta aos tempos em que a atual Etiópia ainda era conhecida como a região da Abissínia e onde as cabras comiam os frutos amarelos-avermelhados de uma planta até então desconhecida pelo mundo. Estes frutos chamamos hoje de café, produto amplamente consumido mundo afora. O Brasil é líder na produção e exportação, o que corresponde a um terço da produção mundial de café. 
   A safra brasileira de 2021 foi de aproximadamente 47,7 milhões de sacas, sendo Minas Gerais o estado com maior produção, com mais de 22 milhões de sacas. Quase 100% do café produzido em território mineiro é da variedade arábica e considerado de altíssima qualidade, premiado em todo mundo. 
   O segundo estado em produção de café é o Espírito Santo com 14,1 milhões de sacas e cuja maior parte de sua produção é da variedade robusta ou conilon. Só para se ter uma ideia do montante, em dólares, das exportações de café, o Brasil faturou o equivalente a US$ 6,242 bilhões. E desse total, Minas Gerais amealhou cerca de 70%, o que torna esses pequeninos frutos em “pérolas vermelhas” e amarelas também.  
   A  jornalista, escritora e acadêmica, Lígia Muniz, faz um delicioso relato de sua viagem de férias pelas famosas fazendas de café de Minas Gerais.

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Gustavo Coli, Lígia e Álvaro Pereira Coli na sala de premiações.png

    Este Brasil continental possui mais de 300 mil fazendas cafeeiras. Estatística atual. E, deste montante, destaca-se Minas Gerais, responsável por 50% da safra nacional e com mais de mil fazendas de café especial certificadas. Certificada significa que estas fazendas alcançaram a alta pontuação exigida para o grão de café ser considerado especial. A pontuação dos cafés vai de 0 a 100% e os especiais possuem esse índice acima de 85%.
   As terras mineiras têm um tesouro escondido em suas serras e montanhas: grandes pérolas vermelhas, amarelas, verdes e marrons.
   Como boa mineira, amo café puro e café com leite. Decidi realizar um antigo sonho: minha próxima viagem de férias seria nos famosos cafezais deste Estado que eu amo. Completamente leiga no assunto, queria conhecer, pelo menos um pouco a fascinante cafeicultura daqui. 
   Pesquisei, sonhei, programei. Com estes pensamentos cafeeiros, num fim de maio já frio, cheio de brisas e ventos, lá fomos nós (dois amigos e eu) rumo a São Lourenço, Sul de Minas, aconchegante cidade da Serra da Mantiqueira. A cidade, com suas águas medicinais, bem cuidados parques e bosques, o calçadão e as ruas de pedras, personifica a hospitalidade de seus moradores. No entorno de São Lourenço, várias e charmosas cidades cafeicultoras, cujas fazendas oferecem seus grãos premiados ao Brasil e ao mundo. Carmo de Minas, Cristina, Dom Viçoso e Soledade são algumas delas. 
   As fazendas oferecem diversos passeios e excursões, rotas de café especiais, “do pé à xícara” onde os aprendizes visitantes recebem deliciosos conhecimentos sobre o cultivo e todo o processo de produção deste milenar alimento. 
   Com poucos dias de férias tivemos que escolher (difícil escolha) uma das rotas. E assim nos deparamos com a Rota do Café Especial Unique, que nos levaria a Fazenda Sítio da Torre, em Carmo de Minas. 
   Partimos do calçadão de São Lourenço para a visita à fazenda, assessorados pelo simpático guia e barista Fabiano Carvalho. Ele, excelente professor, respondeu com paciência a todas as nossas curiosidades sobre a produção cafeeira, do Sul de Minas. Grãos de café bourbon, geisha, acaiá, tornaram-se nossos conhecidos, em uma manhã nos altos das serras mantiqueiras do Sítio da Torre. Palavras como secagem, coleta manual, graus de torrefação invadiram nossos olhos e glândulas salivares, à espera do produto final: um especial cafezinho! 
   E o final da excursão não poderia ser outro: degustação de cafés especiais, ao lado de uma mesa plena de iguarias e quitandas mineiras, como o pão de queijo, o bolo de fubá, a goiabada com queijo e as rosquinhas. 
   Nossos agradecimentos aos proprietários da Fazenda Sítio da Torre, Sr. Álvaro Pereira Coli e seu filho Gustavo Coli, que participaram do passeio, contando-nos a formidável história de sua família, no plantio do café e as premiações conseguidas, com persistência, alegria, esforço e trabalho. 
   Os trabalhos das fazendas cafeeiras de Minas têm como resultado os grãos especiais de café, que partem do Brasil para várias partes do mundo, como Alemanha, França, Finlândia, Estados Unidos, Japão entre outros.     
   Das Minas Gerais para a gastronomia internacional.